14 de Junho de 2010

Copy Paste V (lição de contenção)

Snow fell that night, and when day came one of my packhorses was down with a broken leg. The shot that killed him echoed down the ice-choked valley.


Louis L'Amour, Sackett

24 de Abril de 2009

Copy Paste IV

A certeza que dou para o mal, pensava Joana.
O que seria então aquela sensação de força contida, pronta para rebentar em violência, aquela sede de empregá-la de olhos fechados, inteira, com a segurança irreflectida de uma fera? Não era no mal apenas que alguém podia respirar sem medo, aceitando o ar e os pulmões? Nem o prazer me daria tanto prazer quanto o mal, pensava ela surpreendida. Sentia dentro de si um animal, perfeito, cheio de inconsequências, de egoísmo e vitalidade.


Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem

7 de Abril de 2009

Copy Paste III

She lay beside him and kissed his mouth, his lips were so soft. She remembered the perfect freedom: the nights and days. The pleasure of kissing and caressing another human body, so sweet that the people who said you ought not to do sex unless you loved the other person must be right. When you considered the idea of caressing a child without love, that showed you the enormity of loveless sex.


Gwyneth Jones, Life

25 de Fevereiro de 2009

Copy Paste II

Descobri que a única coisa que me interessa a fundo é escrever, o resto é vivido por causa disso. Ou seja, tudo o que me interessa a fundo é viver, o resto vai ser escrito por causa disso.


Nuno Bragança, A noite e o riso

18 de Fevereiro de 2009

Copy Paste I

A primeira parte dela por mim vista foi a mão, a esquerda. Encostada ao vidro sujo da janela, a mão veio deslizando em movimento de fingida distracção até poisar na minha. Ali ficou, mais viva, por imóvel, do que se me deitasse os dedos. Olhei a cabeça, dona dessa mão. Não se virou, nem nesse instante nem depois. Ignoro quando ela reparara em mim para se decidir ao gesto de contacto. Tinha o cabelo preto como um corvo novo.
Ao fim de dois minutos, a mão de baixo, minha, virou-se e agarrou a dela, que estendeu um dedo calmo, pulso meu acima, até que, escondido sob o punho da camisa, o dedo me afagou a pele do pulso com a delicadeza saltitante de quem acaricia zonas totalmente proibidas. Fiquei filado.


Nuno Bragança, A noite e o riso